Quantas
vezes não são os laços de sangue que nos une, mas, uma grande amizade que nos
enlaça para toda a vida, não apenas o amor. E…não será também amor? Eu, acho
que amo o senhor Joaquim. Poucos compreendem a real dimensão da palavra amigo.
Numa verdadeira amizade como a tenho pelo senhor Joaquim, aquilo que o fizer
feliz, far-me-á também a mim e tenho toda a certeza que ele vive o mesmo
sentimento em relação à minha pessoa. Não me dá só mimos! Ralha quando é preciso,
aconselha, encaminha e sobretudo ouve-me. Sim ouve-me, sempre…dá-me o ombro…o
colo… a nossa amizade alimenta-se a cada dia, é uma planta que rego e alimento,
de sonhos, de respeito, de afectos, de palavras, mas também de silêncios…de
cada vez que penso na nossa relação…uma lágrima foge…a vida não me trouxe só
tristezas, também me deu presentes; olhos sinceros, risos de ouro, mensagem de
incenso e estrelas que brilham, que quase, quase… alcanço com as mãos…e com as
palavras do senhor Joaquim o meu peito se enche de nova seiva e se alimenta…
terça-feira, 11 de setembro de 2012
domingo, 27 de maio de 2012
Gosto...de gostar de mim!
Gosto… de gostar de mim!
Gosto… das coisas simples, como
eu
Gosto …da transparência ao invés
da escuridão
Gosto… de observar e ver
Gosto… de tocar e sentir
Gosto… de dar e ter prazer
Gosto… de dar e receber
Gosto… de quem gosta de mim!
quinta-feira, 24 de maio de 2012
Para um amigo de coração grande!
Não sei
explicar!!
Não deixa de
ser estranho
Não deixo de
ter medo
Mas foi um
ganho
Talvez,
ainda um segredo
Trocamos a
palavra
Trocamos
sentimentos
Sentimentos,
como terra lavrada
Trocamos,
também tormentos
E se dessa
troca
Resultar
esperança?
Então que
troquemos
Que
troquemos, perseverança
abastança,
festança, pujança,
e que a
amizade perdure na
confiança!
Só sei ...que era um qualquer domingo
Só sei…que era domingo,
não sei a data, nem precisar o mês, mas tenho a certeza que era primavera. As andorinhas
povoavam os telhados anunciando a chegada do calor e mostrando que o inverno já
tinha virado as «costas», elas voltavam sempre a ocupar os ninhos construídos
no ano anterior ou se por acaso nós os houvéssemos destruído construiriam um
novo, sempre perto do qual onde haviam nascido, estas aves davam alegria e cor
à cidade e nós miúdos muito gostávamos da sua chegada e daquilo que ela
representava. O bom tempo, o sol, os dias maiores, propícios a mais
brincadeira.
A minha mãe ajudou-me a
tomar banho e deu-me para eu vestir a melhor roupa que eu tinha, umas calças
azuis escuras, um pulôver de decote em bico, também azul, uma camisa aos
quadrados, já muito russa de ter sido lavada muitas vezes. As calças e o
pulôver, havia trazido de casa dos patrões, tinham pertencido ao filho mais
novo. Era hábito a patroa dar-lhe a roupa que já não servia aos filhos. Eram
mais velhos do que eu. Aliás! Eu só vestia roupa usada dos filhos do advogado
ou de outros.
Depois de pronto
disse-me que eu ia ter uma surpresa:
− Hoje vais conhecer o
teu pai!
Fiquei pouco entusiasmado, não me fazia falta,
nunca o tinha visto. Apenas tinha visto uma fotografia sua, quando uma vez «bisbilhotei»
a carteira da minha mãe.
Sentia alguma pena de
não ter pai para partilhar as alegrias e os fracassos e até jogar à bola, como
alguns dos meus amigos faziam, mas já estava habituado, quando eu perguntava
ela sempre me dizia que estava em viagem e que não sabia quando voltava, há
muito que tinha deixado de perguntar.
Depois de ambos estarmos
prontos, saímos em direcção ao Rossio, fomos direitos à pastelaria Suíça.
Quando nos aproximámos da esplanada a minha mãe disse:
– Olha! O pai está ali á nossa espera!
Quando o vi, pensei: – Não
é o meu pai, é gordo de bigode e careca, o meu pai até pode já estar gordo, mas
não era careca e não tinha bigode, portanto aquele fulano não é de maneira
nenhuma o meu pai.
− Xavier dá um beijinho
ao pai – disse a minha mãe quando chegámos.
Com pouca vontade lá dei um beijo ao Senhor.
− Sentem-se aqui. Estava
à vossa espera. O que querem comer? Vamos lanchar e depois daremos uma volta
por aí – disse o desconhecido.
Sentámo-nos os três à
mesa, o pretendente a meu «pai» bebia uma cerveja, a minha mãe pediu para cada
um de nós, um galão e um queque. Como me soube bem aquele bolo…devo tê-lo
comido em duas dentadas. Há quanto tempo não comia um bolo!
Quando acabámos de
comer, tomamos os três a direcção do Terreiro do Paço, depois…fomos até à beira
do Tejo. Quando aí chegados, sentámo-nos um pouco a ver os pescadores lançarem
as suas canas na tentativa de apanharem algum peixe. Era engraçado ver os
homens colocarem o isco na ponta da cana e lançar o mais longe que conseguiam,
na esperança que algum peixe mordesse o anzol. Havia um pescador que já tinha
um balde com água com uns quantos peixitos lá dentro, levantei-me e fui observá-los,
alguns, ainda mexiam, outros, apenas boiavam no cimo da água, lembro-me que
fiquei com pena, coitadinhos... corria uma aragem fresca na margem do rio, os
cabelos da minha mãe nesse dia estavam soltos e com o vento a soprar-lhes
estavam despenteados, assim, ficava mais bonita. Pouco falaram comigo, fui
brincando na sua frente, andando ao pé-coxinho, mandando umas pedrinhas a
alguns passaritos que pousavam no passeio, andavam uns meninos de bicicleta,
fiquei com pena de não ter uma também...
Será outro? Talvez!
A minha mãe havia
nascido numa aldeia perto de Lamego, tinha vindo para Lisboa por intermédio de
umas pessoas conhecidas, para servir como empregada interna na casa de um
advogado. Jovem, ingénua e com pouca formação, após algum tempo de namoro com
um rapaz que trabalhava no porto de Lisboa, engravida. No dia que lhe dá a
notícia…soube que era casado. Na última vez que se encontraram, o meu pai
colocou-lhe no bolso umas quantas notas. E disse-lhe:
− Não, estragues a tua
vida e a minha, vai tirar isso!
As dúvidas, o medo, a insegurança e a solidão
encontraram espaço para entrar e permanecer durante muitos anos. A dor de saber
que não ia poder compartilhar a gestação, e muito menos o nascimento, não a
demoveu...após, muitas
noites sem dormir, muitas perguntas sem resposta, muitas incertezas…, decidiu.
Ia dar à luz este filho.
Quando
os patrões deram pelo «sucedido»; disseram-lhe que podia lá continuar a
trabalhar, mas assim que a criança nascesse deveria arranjar sitio onde dormir.
Pouco antes de eu nascer, não teve outro remédio…senão, procurar, um local onde
pudéssemos os dois viver.
Nasci, onde quase todas
as mães davam à luz, no «aviário» de Lisboa, a Maternidade Dr. Alfredo da Costa.
Ela tinha acabado de fazer vinte anos, alta e magra, de cabelos compridos
pretos, olhos castanhos grandes, apesar de não ser feia, tinha um ar pouco
cuidado.
Passámos a viver, num quarto subalugado, nas
águas furtadas, dum prédio muito antigo e já com alguma degradação, numa rua
estreita e íngreme ao lado do Hospital de S. José. A escada era tão escura e
tão a pique que muitas vezes subíamos de gatas.
Desde que partira da
terra natal, nunca mais tinha ido visitar a família. Escrevia de vez em quando,
nem os meus avós sabiam quem era o meu pai e até pensavam que vivíamos os três.
A velhota, a D.
Joaquina que nos tinha subalugado o quarto, enquanto fui pequeno também tomava
conta de mim, mas agora estava muito velhinha, já precisava era de quem tomasse
conta dela! O que ela queria era que eu me sentasse ao seu lado, no sofá da
sala, com uma mantinha pelas pernas a fazer-lhe companhia. Ela via todas as
telenovelas e queria que eu fizesse o mesmo, mas eu, não achava nenhuma piada
aquelas histórias.
Vezes sem conta…ficava
sozinho, empoleirava-me em cima de um banco na pequena janela, e tentava contar
os carros que avistava no largo do Martins de Moniz, levava comigo uma folha de
papel e uma caixinha de lápis de cor e usava o parapeito da janela para fazer
risquinhos das suas cores e tentava contá-los por cores.
Era um garoto franzino,
de cabelos pretos, olhos grandes, carente, muito carente de bens e de afecto.
Desilusão!
Era
madrugada
Acordei
estremunhada
Pouco
compreendi
Só horas
mais tarde percebi
Depois foi a
alegria
Mais tarde a
euforia
Logo a
seguir a esperança
Depois veio
a mudança
Os anos
foram passando
Com avanços
e recuos fomos andando
Rindo e
chorando
Muitas vezes
vibrando
Tantos anos
passados
Tantas lutas
ignoradas
Tantas
esperanças sufocadas
Tantas
lágrimas derramadas…
Estamos
encurralados…
Pela
desilusão, pela humilhação
Pela
desgovernação
Pelos
abutres tentaculados.
Teu peito!
Planície…
salpicada de
branco
Não tem neve
Não tem
geada
Não está
gelada
Pulsa
Respira
Transpira
Branca…
Foi do tempo
Tempo que
não é tempo
Mas que
sopra como o tempo
E foge como
o vento
E arde como
a chama…
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